O Vereador e nós

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Grande parte dos problemas – e das soluções – de nossas cidades passa pela pessoa do Vereador. Afinal, a nível local, é ele o responsável pela feitura das leis que irão gerir nossa vida, nossas relações, nossos negócios. Evidentemente, existem outras esferas (estadual e federal), com competências específicas, em caráter progressivo, as quais igualmente nos outorgam benesses, poderes e direitos ou nos conferem obrigações, deveres e responsabilidades.

O Vereador é fundamental para a cidade. Sua proximidade com o público, com a comunidade é de essencial valor para o desempenho de seus misteres e sua presença constante nas ruas e bairros – não somente nos tempos pré-eleitorais, como o presente – diagnostica sua atenção, zelo e envolvimento com as questões de “nossa gente”.

Nos últimos dias, assistimos – atônitos – as matérias jornalísticas que enquadravam postulantes à cadeira legislativa que foram reprovados em exames básicos, muito elementares, sugeridos pelas autoridades judiciais eleitorais, com ditados e questões de raciocínio e lógica infantis. Um vexame! Outros, ainda, evitando o constrangimento, nem compareceram. Triste retrato de um país de semi-analfabetos, muitos dos quais, rotineiramente, ocupando papéis de relevante importância no cenário político-administrativo de nosso país.

Afinal, com um mínimo de discernimento pode-se aferir que a experiência de vida não é suficiente para a assunção de determinadas funções públicas, muitas das quais, em razão da complexidade de atribuições, exige certo credenciamento, habilitação e, até, por não dizer, profissionalização. Vereadores que não sabem ler são, facilmente, peças de manobra na mão de políticos inescrupulosos que direcionam a abordagem, a manifestação e, principalmente, o voto, nas sessões legislativas que decidem o que será de nossas vidas.

É claro que também existem cidadãos inescrupulosos e corruptos entre os que têm alta escolaridade, dirão os mais apressados. Todavia, não estamos advogando a tese do nivelamento “por baixo”, para apresentar como premissa que “pouca erudição” seja sinônimo de honestidade, ética ou probidade administrativa.

Há que se pensar, urgentemente, na melhor definição de critérios para os postulantes à vereança, os quais, em nosso entender, passam pelo aumento da exigência de escolaridade e, mais ainda, necessitariam de requisitos paralelos como, por exemplo, a freqüência em “escolas de governo” ou cursos de administração pública, que poderiam ser oferecidos e realizados em parceria, envolvendo os poderes constituídos, o ministério público, as entidades de classe (dos advogados, administradores e contadores), além das universidades (públicas e privadas), com possíveis e projetáveis bons resultados.

Enquanto isto não ocorre, resta-nos propugnar pela coerência no exercício da cidadania, por parte de nós, eleitores, não nos esquecendo de que o nosso “voto” de confiança, neste instante, deverá significar nossa presença constante, ética e fiscalizatória, não somente em relação àquele que ajudamos a eleger, como para com todos os que estiverem no desempenho desta missão pública.